18/09/07
A Fundação de Economia e Estatística (FEE) do Rio Grande do Sul elaborou um estudo que mostra os indicadores do potencial poluidor das atividades industriais no estado. Uma das principais conclusões do trabalho é que cresceu a participação de setores considerados de alto potencial poluidor no valor adicionado bruto (VAB) durante o período pesquisado. Em 2001, 65% do VAB do setor tinha origem em atividades de grande risco ambiental, percentual que subiu para 68% em 2004, último ano com dados analisados.
"Isso foi feito a partir da classificação da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) para atividades de alto, médio e baixo potencial poluidor", explica a socióloga Naia Oliveira, pesquisadora da FEE. Naia ressalta que o trabalho analisa as atividades que oferecem maiores riscos, o que não significa poluição consumada. "Não trabalhamos com a carga poluidora", reforça. Conforme a Fepam, os segmentos industriais com o maior potencial poluidor são o de máquinas e equipamentos, produtos químicos, alimentos e bebidas e metalurgia básica.
A FEE mapeou os dez municípios com maior potencial poluidor. Em 2001 Canoas aparecia na frente, mas desde 2002 Triunfo está na liderança, o que é explicado pela presença do pólo petroquímico no município. Em seguida aparecem os municípios Caxias do Sul, Porto Alegre, Gravataí, Rio Grande, Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul, Bento Gonçalves e Santa Cruz do Sul.
A FEE calculou ainda o Índice do Potencial Poluidor da Indústria (Inpp-I), que compara volume de produção e risco, e o Índice de Dependência das Atividades Poluidoras da Indústria (Indapp-I). Ambos vêm aumentando desde 2001. Em termos de regiões, a Grande Porto Alegre tem o mais alto Inpp-I, seguido pelo Vale do Sinos e a Serra. Conforme a FEE, a Grande Porto Alegre tinha um índice menor que o Vale dos Sinos em 2001, mas a situação se inverteu. "Isso se deve ao decréscimo da produção da área coureiro-calçadista na região de Novo Hamburgo", diz Naia, referindo-se à crise do setor nos últimos anos em função do dólar em queda e da transferência da manufatura para o Nordeste em busca de menores custos de produção.
Em termos da distribuição geográfica do VAB industrial por risco, a situação considerada mais crítica é da Grande Porto Alegre, com 87,31% da atividade industrial avaliada como de alto potencial poluidor. Em seguida aparecem a Serra, com 72,15% de concentração em atividades de alto potencial poluidor, e o Vale dos Sinos, com 66,59%. As três são as regiões de maior concentração populacional do Rio Grande do Sul. "Esse trabalho pode fornecer subsídios para a elaboração de políticas públicas", avalia Naia, acrescentando que com o trabalho a FEE pretende associar indicadores econômicos e sociais aos ambientais.
Fonte: Gazeta Mercantil