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15/10/07

Paraíso desconhecido e preservado

Os três rios são estuarinos e recebem, duas vezes por dia, correntes de água do mar, o que garante o substrato necessário para a renovação da vida nos manguezais. ‘‘Eles são abastecidos basicamente pela água do oceano e das cachoeiras da Serra do Mar’’, explicou a coordenadora do curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) em São Vicente, a pesquisadora Selma Rodrigues.

É por isso que estes três rios — de águas mais escurecidas (cor de chá mate), frias, com grande variação de profundidade e gosto salobro — conseguem concentrar uma grande variação de fauna e flora típicas dos mangues.

A Tribuna — acompanhada pela pesquisadora da Unesp e pelo secretário de Comunicação de São Vicente, Clóvis Vasconcellos — percorreu em botes motorizados parte dos três rios e constatou que os manguezais conservam suas principais características. Apresentam bom nível de preservação ambiental, apesar de algumas interferências humanas na vegetação e do quase inevitável lixo urbano (principalmente sacos plásticos e garrafas pet), notados com a baixa da maré.

‘‘Obviamente, que quanto mais próximo aos conglomerados urbanos (bairros, sítios, favelas e áreas invadidas), maior a chance de acúmulo de lixo, que também chega ao mangue pelo próprio mar, oriundo de outras áreas’’, observou Selma. ‘‘Mas aqui constatamos um bom grau de preservação, o que pode explicar a grande variedade de vida e a volta destes guarás’’.

Além de bandos de guarás-vermelhos, outras aves como socós brancos, pretos e até azuis também compõem a paisagem, assim como biguás, garças, martins-pescadores, frangos-do-mangue, maçaricos, gaviões e gaivotas.

Nos três rios, peixes como tainhas, paratis, robalos, bagres-cabeçudos, caratingas e pescadas chegam a saltar na água, que apesar de ficar em constante movimento, por ação da subida e descida de marés, fica com a superfície espelhada, ao longo do percurso e junto às gambôas (braços de rios, como os igarapés).

Crustáceos e moluscos também são evidenciados, principalmente nos baixios (coroas de solo de mangue que afloram com a maré baixa). Berbigões (famosos vôngoles de pratos refinados), mini-caranguejos vermelhos, camarões, ostras e siris azulões ainda têm forte presença, apesar do extrativismo praticado por famílias carentes e pescadores da região. Entre a vegetação de mangue e de restinga ainda há ratões-do-banhado, gambás e o cachorro-do-mato-vinagre.

ECOSSISTEMA

Dos 146 quilômetros quadrados do território de São Vicente, 13 quilômetros quadrados são de manguezais em bom estado de preservação. Não fosse a ocupação irregular verificada nas décadas de 70 e 80, como o México 70, que foi montado sobre o mangue, a Cidade teria 24 quilômetros quadrados de sua área total formada por este ecossistema.

‘‘A preocupação é manter uma política preservacionista, combatendo ocupações irregulares. Afinal, ainda restam 54% da cobertura original de mangues que existia antes da presença humana na região’’, calculou Vasconcellos.

O prefeito Tércio Garcia, que é engenheiro agrônomo, comentou que a desativação do Lixão do Sambaiatuba e a intensificação da coleta de lixo doméstico e de entulho também foram fatores essenciais para a manutenção deste ambiente, ‘‘além da promoção de campanhas periódicas de educação ambiental nas escolas e nos bairros, visando o desenvolvimento de uma consciência ecológica de preservação’’.

Ponte dos Barreiros. Socó busca alimento

O socó negro compõe a fauna dos três rios e das margens do Canal dos Barreiros, assim como o socó branco e até o azul, além do chamado socó-boi.

Rio Mariana. Mini-caranguejo vermelho

Estes mini-caranguejos vermelhos compõem a alimentação dos guarás-vermelhos. Inclusive, a plumagem da ave fica com a cor característica devido a uma substância (caroteno) presente no crustáceo.

Rio Mariana. Planta na areia

Chegando aos manguezais pela força da maré, esta avicênia se transforma na árvore do mangue, típica da região.

Rio Piaçabuçu. Biguás em coroas

Os baixios, que se evidenciam com a baixa da maré, atraem muitas espécies, como a dos biguás.

Rio Mariana. Balde e garrafa pet

Sacos plásticos, garrafas pet e outros objetos, que podem ter vindo com a cheia da maré, também existem em alguns pontos ao longo dos rios, principalmente nos trechos mais próximos dos conglomerados urbanos. Muitos detritos são retirados do local pelos próprios pescadores.

Rio Branco. Braço de rio

O Rio Branco, que faz divisa com Cubatão, conta com gambôas (braços como igarapés) mais volumosos e largos. O rio em si conta com trechos de cerca de 100 metros de distância entre suas margens.

Fonte: A Tribuna Digital

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