15/10/07
Estudo da Fundação Dom Cabral recentemente divulgado revela que muitas empresas ainda têm a sustentabilidade apenas em seus discursos. Para essas companhias, embora seja um compromisso, sustentabilidade ainda se resume a aspectos pontuais e, geralmente, voltados à questão social. Essas empresas ainda não conseguiram incorporar aos seus modelos de negócio este importante conceito. A sustentabilidade compreende uma visão integrada entre as dimensões econômica, ambiental e social.
Como empresa de gestão ambiental de resíduos, águas e efluentes, temos tido a oportunidade de interagir com companhias que têm diferentes tipos de compreensão sobre esse assunto. Assim como há indústrias que acreditam e investem na mudança de seu ciclo produtivo, outras desprezam oportunidades de ganhos em competitividade, desenvolvimento de novas tecnologias, redução de custos diversos, além de ficarem sujeitas às implicações ambientais.
O fato é que empresas sustentáveis têm lucros maiores e são mais valorizadas. Basta observar as companhias listadas no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) e no Dow Jones Sustainability (DJS).
Mas sair do discurso não é fácil. É preciso superar a barreira da obrigação, que se traduz na legislação, enxergar os benefícios recíprocos e incorporar esse desafio aos valores da empresa.
Na gestão de resíduos, ainda falta a muitas companhias uma visão integrada dos benefícios que os investimentos nesta área podem gerar. Indústrias que buscam a sustentabilidade por meio da gestão ambiental reciclam e reaproveitam materiais com ganhos adicionais. Os impactos são minimizados e o balanço ambiental fica no positivo.
A Cosipa, em Cubatão, adota o princípio dos 4R (reduzir, reutilizar, reciclar e recuperar), reusa os resíduos gerados no processo siderúrgico ou comercializa-os com empresas licenciadas. Em 2006, cerca de 60% dos rejeitos da produção do aço renderam à empresa uma receita 22% maior do que em 2005.
A tendência é que, em busca da sustentabilidade, cada vez mais as indústrias brasileiras apostem no custo-benefício do correto tratamento de seus resíduos. Estudo encomendado pela Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre) mostra que as aplicações nessa área devem chegar a R$ 1,6 bilhão em 2007. São investimentos que, empregados corretamente, têm retorno garantido.
Nesse processo, é importante confiar a gestão ambiental a empresas com capacidade de inovação, visão estratégica e profissionalismo e que também tenham, em sua filosofia, o comprometimento com a sustentabilidade.
Fornecedores qualificados proporcionam a conquista de atestados concedidos por entidades conceituadas e confiáveis, como as certificações ISO 9001 e 14001. São conquistas que agregam valor à marca e asseguram o exercício das boas práticas em prol do meio ambiente e da longevidade de empresas e comunidades envolvidas. (Luiz Augusto Rosa Gomes - Presidente da Cavo Serviços e Meio Ambiente).
Fonte: Gazeta Mercantil