14/01/08
As tubulações plásticas surgem como opção para sistemas prediais de chuveiros automáticos (sprinklers) para combate a incêndios, com a revisão da norma NBR 10897 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Testes de laboratório realizados em pesquisa da Escola Politécnica (Poli) da USP pelo engenheiro Carlos Roberto Metzker de Oliveira apontaram os materiais plásticos que apresentam maior resistência ao fogo.
“Foram testados diversos tipos de compostos vinílicos utilizados na fabricação das tubulações, variando o teor de cloro da resina base destes compostos de 57 a 68% (valores teóricos)", explica o engenheiro. Na primeira etapa do estudo foi verificada a resistência ao fogo de trechos de tubulações pressurizados e submetidos a uma elevação de temperatura, por meio de um forno de pequenas dimensões.
A segunda parte do estudo utilizou tubulações em escala real, simulando uma situação de incêndio e verificando sua resistência durante 10 minutos de exposição às chamas. “O objetivo foi obter os tempos de ruptura nos ensaios em trechos de tubulações, selecionar tubos com capacidade de resistência ao fogo para ensaios em escala real e verificar se estas suportavam a exposição às chamas”, conta o engenheiro.
Os ensaios em trechos de tubulações mostraram que quanto maior o teor de cloro nestes compostos, maior é sua resistência ao fogo (maior tempo de ruptura), que varia de 55 a 276 segundos. “Já os ensaios em escala real indicaram que as tubulações com compostos vínilicos com teor de cloro da resina a partir de 64% suportam as condições de teste”, relata Oliveira, que integra o Laboratório de Segurança ao Fogo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).
Desempenho
O engenheiro ressalta que “no final dos testes, verificou-se que os compostos vinílicos utilizados na fabricação de tubulações com tempo de ruptura de, no mínimo, 110 segundos nos ensaios em trechos de tubos, suportam as condições de exposição ao fogo nos ensaios em escala real, o que estabelece assim a relação entre ambos”. Os resultados estão na dissertação de mestrado do engenheiro, apresentada na Poli no último mês de setembro.
As tubulações com materiais plásticos já são adotados na Europa e nos Estados Unidos em sistemas prediais de chuveiros automáticos de combate a incêndio. "No Brasil, a norma NBR 10897 (‘Sistemas de proteção contra incêndio por chuveiros automáticos’) da ABNT exigia, até 2004, que os tubos fossem executados somente com materiais metálicos (aço ou cobre)", diz Oliveira.
A norma de sistema começou a ser revisada há três anos. "Nesta revisão há a possibilidade de se utilizar tubulações plásticas para este sistema em edificações classificadas como risco leve, como por exemplo, hospitais, edificações de escritórios, escolas e hotéis, desde que comprovem os critérios de desempenho estabelecidos."
O engenheiro alerta que a resistência ao fogo não é o único critério exigido para se avaliar o desempenho destas tubulações. “A norma de desempenho leva em conta diversos itens, entre os quais a resistência ao fogo, ao impacto, vibração, torção e esmagamento”, observa. Atualmente, a ABNT está elaborando a metodologia de avaliação de desempenho destas tubulações, com base na norma UL 1821, adotada nos Estados Unidos.
Fonte: Agência USP de Notícias